quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

o dilúvio, o hipopótamo e o automóvel

As águas cercavam o lugar todo e a caminhoneta virou sobre Apolo, para total desespero do seu amigo Otacílio Ramos da Silveira.

- Ajudem-me a salvar meu hipopótamo! Ajudem-me por favor!

Apolo estava preso sob a caçamba do automóvel, apenas deixando as grandes narinas para fora do aguaceiro.

Eu avistava a cena de uma parte alta da vila e de lá fiz sinal para Otacílio parar de gritar. Logo ele entendeu minha mensagem e mudou seu pedido de socorro:

- Ajudem-me a salvar a caminhoneta! Vamos, estou perdendo meu automóvel!

Todos correram para prestar auxílio e, por fim, conseguiram êxito na tarefa.

Apolo escorregou para fora e Otacílio lembrou de me agradecer com afetuoso olhar.

Pensei comigo que aquilo era uma prova irrefutável de ignorância e desdém, mas a alegria de ver Apolo livre acabou com meu pesadelo filosófico.

2 comentários:

  1. Ah, mas o Otacílio é bonzinho! Ele pode ser ignorante, não pode? :-)
    Bj,
    Marcos

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  2. qual de nós escapa dela? beijo com abraço, Marcos!

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